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jun 2018

O fator humano

Tal como acontece com outros tipos de utentes da estrada, as pessoas ao volante também desempenham um papel fundamental nos acidentes rodoviários que envolvem veículos pesados de transporte de mercadorias. Os sistemas de assistência ao condutor possuem basicamente o potencial de evitar acidentes. Para o efeito, os condutores necessitam de ser instruídos exatamente acerca do que os sistemas podem e não podem fazer. Em geral, a formação dos motoristas de veículos pesados é muito importante, tendo em consideração os inúmeros requisitos, cargas e riscos.

Quer ao volante de veículos pesados de mercadorias, na cabina de uma locomotiva, no cockpit de um avião de transporte ou na ponte de um navio de contentores: a fiabilidade desempenha um papel central, se considerarmos o fator humano no transporte de mercadorias. Nos círculos profissionais, fala-se da fiabilidade da ação na interação do homem e da máquina, neste caso, o meio de transporte. Depende do desenho do sistema técnico e dos requisitos de desempenho do ser humano.

Basicamente, a fiabilidade da ação é particularmente elevada quando o sistema se encontra otimamente adaptado às capacidades humanas. A ocorrência de erros é considerada resultado de uma incompatibilidade do indivíduo e da tarefa de “conduzir os meios de transporte”. O problema é que a má conduta humana pode ter consequências fatais no transporte rodoviário. Portanto, é importante manter ou, se necessário, aumentar a fiabilidade da ação. E para o efeito, é necessário conhecer ou ter experiência sobre os fatores de influência.

Na condução de um veículo motorizado, esta está associada ao fator humano, sobretudo no que respeita às competências adquiridas para lidar com o veículo do sistema (capacidade), as condições físicas e mentais para condução do veículo (adequação) e também o estado físico e mental atual (aptidão para a condução). Com o aumento do grau de automatização do cockpit dos veículos pesados de mercadorias, os requisitos para a capacidade e adequação necessárias, bem como, se necessário, para a aptidão para a condução, terão que ser modificados ou mesmo redefinidos.

Formação de motoristas de veículos pesados

A procura de motoristas aumentou proporcionalmente com o aumento do transporte de mercadorias na estrada. Neste contexto, levantam- se questões de segurança associadas aos veículos pesados de mercadorias e autocarros. O facto de os motoristas de veículos pesados estarem sujeitos a requisitos especiais resulta da respetiva tarefa de conduzir. Os motoristas de veículos pesados têm de enfrentar condições difíceis com mais frequência do que os utentes de veículos particulares – como, por exemplo, conduzir em rotas desconhecidas ou conduzir em estradas e condições climatéricas difíceis. O equipamento técnico no transporte de mercadorias e de passageiros encontra- se geralmente num nível superior, resultando num ganho significativo na segurança rodoviária, por um lado, aumentando porém, por outro lado, os requisitos colocados ao condutor dos veículos pesados de mercadorias. O condutor deve estar bem informado sobre a funcionalidade e os benefícios dos sistemas de assistência ao condutor, para que possa reagir de forma fiável em caso de uma falha técnica. Além disso, também existem para o condutor profissional – por exemplo, de acordo com o disposto nos artigos 407.º e seguintes do Código Comercial alemão – regulamentos legais de transporte, bem como uma fixação de carga adequada ou de acordo com os regulamentos de mercadorias perigosas para o transporte de mercadorias perigosas. No transporte internacional de longa distância, os motoristas de veículos pesados também são confrontados com inúmeras regras e particularidades de trânsito específicas do país, com as quais devem lidar adequadamente. Adicionalmente a estes aspetos, encontra-se o stress emocional e psicológico como a pressão constante em relação ao tempo e o afastamento da família. Também o esforço físico devido a longos períodos de condução ou das próprias cargas e descargas representam um desafio especial no transporte de mercadorias.

A principal causa de acidentes ainda continua a ser a má conduta dos condutores. Para aumentar a segurança rodoviária, mas também para a manutenção da saúde, é necessária uma qualificação sustentável dos condutores profissionais. Na Alemanha, existe a possibilidade de obter formação aprovada pelo estado como motorista de veículos pesados. Em 2016 foram celebrados 2964 novos contratos de formação. De acordo com as informações da Câmara de Comércio e Indústria, cerca de 2000 formandos concluíram com sucesso a formação formação de motoristas de veículos pesados nos últimos três anos, com uma diminuição de mais de 100 formandos entre 2015 e 2016.

Também noutros países europeus existem cursos de formação, que são semelhantes ao do motorista de veículos pesados alemão. Num relatório BASt, de 2008, a formação profissional foi confrontada comparativamente.

A nível europeu, a Diretiva 2003/59/CE (diretiva UE relativa aos motoristas de veículos pesados), de 3 de julho de 2003, define requisitos mínimos para os trabalhadores móveis. A seguinte fundamentação é indicada na diretiva:

“Para permitir aos condutores adaptarem-se aos novos requisitos decorrentes do desenvolvimento do mercado de transporte automóvel, a legislação comunitária deve ser alargada a todos os condutores, independentemente de exercerem profissão independente ou dependente, no transporte de mercadorias comercial ou no transporte por conta própria.

O objetivo da nova legislação comunitária é garantir a qualidade da profissão de condutor sob a forma de qualificação para o acesso ao mercado e para o exercício da profissão.”

A segurança no trânsito deve ser melhorada com uma qualificação básica de 280 horas ou através de um exame teórico de conteúdo de quatro horas e duas horas de prática, para além de for mação regular de 35 horas em intervalos de cinco anos. A qualificação básica obrigatória aplica-se aos condutores com idade compreendida entre os 18 e os 21 anos, com carta de condução das classes C1, C1E, C, CE, D, DE, D1 e D1E. Para os principiantes de 18 anos no transporte de mercadorias, com carta de condução de classe C1 ou C1E, bem como para os de 21 anos com carta de condução de classe C ou CE, respetivamente D, DE, D1 ou D1E, pode ser obtida uma qualificação básica acelerada de 140 horas de formação com avaliação final.

Como requisitos mínimos para qualificação básica e formação contínua foram definidos os seguintes pela UE:

  • Regras de segurança na condução e ao parar,
  • Desenvolvimento de um estilo de condução defensivo, prevendo perigos e tendo em consideração os restantes utentes da estrada, bem
  • como o consumo racional de combustível.

A aplicação das medidas de qualificação e formação contínua é da responsabilidade dos centros de formação aprovados pelas autoridades competentes e será concluída através de uma avaliação adequada.

Requisitos especiais para motoristas de veículos pesados

Nos últimos anos, as exigências aplicadas a um motorista de veículos pesados alteraram-se drasticamente. Anteriormente, as tarefas consistiam em conduzir e carregar. O facto de os motoristas no transporte de mercadorias terem também de realizar várias outras tarefas atualmente, foi apresentado por Frühauf e colegas (2008). Os autores distinguem atividades com condução e sem condução.

Além do mais, são necessárias várias outras capacidades, bem como as chamadas “soft skills”, porque, ao lidar com colegas e clientes, espera-se um comportamento amigável e espírito de compromisso.

Devido às elevadas exigências impostas aos motoristas de veículos pesados no transporte de mercadorias, aplicam-se outros regulamentos na Alemanha – para além da qualificação de base – para obter uma carta de condução correspondente. De acordo com o regulamento alemão relativo à carta de condução (FeV), devem ser preenchidos certos requisitos físicos e de visão. Além disso, os condutores que transportam pessoas profissionalmente são avaliados quanto ao seu desempenho psicofísico (resiliência, orientação, concentração, atenção, capacidade de resposta).

No capítulo 2.5 “Requisitos para o desempenho mental” das “Diretrizes de avaliação da aptidão para a condução”, os valores limite de RP = 16 (grupo 1) e RP = 33 (grupo 2) foram determinados para estas dimensões já no ano de 2000. Neste caso, PR é a abreviatura de classificação percentil. Esta medida estatística indica a posição relativa que uma pessoa ocupa em relação a uma característica particular num grupo de comparação ou referência.

No comentário às “Diretrizes de avaliação da aptidão para a condução”, afirma-se que essas definições foram realizadas “tomando em consideração valores de experiência empírica”. No que respeita à evolução do transporte rodoviário de mercadorias, como o cumprimento de tarefas adicionais sob crescente pressão de tempo, aumento da densidade de tráfego e automatização, deve questionar-se se aquelas ainda são válidas sob essas novas condições e como pode conseguir-se que continue a ser mantida a fiabilidade humana no sistema humano–veículo, ao nível elevado exigido.

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