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Medidas de proteção e recomendações

mai 2019

O fator humano

Schulweg
Nem sempre o caminho para a escola é tão organizado como o ilustrado na fotografia.

Para diminuir o risco de acidente, o legislador alemão declara obrigatória a utilização do passeio para as crianças até aos oito anos de idade. Posteriormente – até completarem os dez anos de idade – podem ainda circular no passeio. Depois disso, as crianças, tal como os adultos, têm de utilizar as ciclovias ou a estrada. O mais tardar nessa altura, o seu meio de transporte tem de cumprir as disposições aplicáveis do regulamento alemão de aprovação relativo à circulação rodoviária (StVZO). Uma outra importante medida de segurança ao andar de bicicleta é, sem dúvida, o uso de um capacete de bicicleta. Inquéritos mostram que, na Alemanha, 76 % das crianças entre os seis e os dez anos usam capacete, ao passo que, na faixa etária dos 10 aos 16 anos, apenas 29 % o fazem. É recorrentemente debatida a obrigação de uso de capacete na Alemanha. Até à data, contudo, os defensores da medida não conseguiram prevalecer. Mesmo para as crianças, atualmente existem apenas recomendações, mas não qualquer obrigatoriedade de capacete.

Um meio importante para o aumento da segurança dos ciclistas infantis consiste nos treinos de bicicleta. No caso das crianças, estes levam também, subjetivamente, a uma maior sensação de segurança. Estes treinos são mais eficazes quando realizados na circulação rodoviária real. Mas uma área protegida, como, por exemplo, o pátio da escola, também é adequada para treinar as capacidades motoras. Na Alemanha, as crianças, geralmente no 4.º ano, realizam uma formação de bicicleta, na qual são transmitidos conteúdos teóricos (regras de trânsito) e são realizados também exercícios práticos, na maioria das vezes, no ambiente protegido de um parque de tráfego. No final, o exame de bicicleta documenta a conclusão com sucesso da formação de bicicleta.

O Conselho Alemão de Segurança Rodoviária aconselha os pais, de modo geral, a apenas permitirem que os seus filhos andem sozinhos de bicicleta no caminho para a escola e nos tempos livres após a formação de bicicleta e a aprovação no respetivo exame. Em muitas escolas na Alemanha, existem regulamentações concretas que estabelecem as condições em que as crianças podem ir para a escola de bicicleta. Tal deve ser precedido, em qualquer caso, de viagens de treino conjuntas, para o aumento da segurança motora, para familiarização com os trajetos e para sensibilização para os locais de risco. Isto porque a habituação a andar de bicicleta aumenta a sensação de segurança subjetiva.

Contudo, para além de medidas de proteção para as pessoas, são também necessárias determinadas condições em termos de infraestruturas, como, por exemplo, fluxos de tráfego seguros, de modo a aumentar a segurança objetiva e também a sensação de segurança. Em última análise, disso depende a aceitação da bicicleta como alternativa de deslocação. A bicicleta apenas é um meio de transporte conveniente se à experiência estiver associado o facto de se ser aceite como um utente da estrada de igual direito.

O exemplo dos pais

A psicologia da aprendizagem demonstra o quão importantes são a aprendizagem através da observação e a aprendizagem social (por modelos) para a adoção de comportamentos na infância. Segundo a teoria da “aprendizagem social” de Albert Bandura, uma relação emocional ou a afinidade entre o modelo e o observador, um estatuto superior do modelo, assim como a possibilidade de sucesso esperada e as possíveis consequências positivas da adoção do comportamento promovem o processo de aprendizagem.

Se aplicarmos estes conhecimentos à circulação rodoviária e à aprendizagem das crianças no âmbito da mesma, torna-se claro que os pais assumem um elevado grau de importância enquanto “objeto de observação”. Tal aplica-se, especialmente, até aos 12 a 14 anos, idade mínima a partir da qual se pode pressupor que as crianças desenvolveram suficientemente todas as competências e capacidades relevantes para serem utentes da estrada autónomos. Devido à sua estreita relação com a criança, os pais estão predestinados a ser modelos a seguir. Isto também é constatado pelas crianças, que referem prioritariamente os seus pais como modelos. Estes estão plenamente conscientes do seu papel de modelo e, na presença dos seus filhos, na circulação rodoviária, comportam-se de forma significativamente mais cumpridora das regras do que na sua ausência. Apesar dos esforços evidentes, na prática, nem sempre conseguem exercer de forma coerente o seu papel de modelos. Um motivo para tal pode ser o facto de nem todos os pais serem capazes de refletir de forma autocrítica sobre os próprios comportamentos automatizados e, desse modo, transmitirem (mais ou menos inconscientemente) aos seus filhos comportamentos errados ou perigosos na circulação rodoviária. Por conseguinte, são indispensáveis agentes de socialização de apoio (infantários e escolas), para capacitar as crianças para uma participação segura e responsável na circulação rodoviária através de uma transmissão de conhecimentos teóricos e práticos objetivos.

No que respeita ao tema do capacete de bicicleta, a discrepância entre modelo parental e comportamento real é bem clara. Embora, segundo a Associação Alemã de Prevenção de Acidentes Rodoviários (DVW), três em cada quatro crianças usem capacete de bicicleta, em comparação, aproximadamente apenas um em cada seis adultos o faz. Os motivos para tal são frequentemente banais – são especialmente referidos aspetos relacionados com a moda – e são claramente desproporcionados em relação ao maior risco de acidente e ferimentos. Em relação ao uso de capacete, os pais são extremamente importantes enquanto modelo. Não existe praticamente nenhuma outra medida de segurança rodoviária em que a aprendizagem através do exemplo tenha tanta importância. Através do uso consistente de capacete, os pais aumentam a aceitação, por parte dos seus filhos, em fazer o mesmo. Se derem também aos seus filhos a possibilidade de escolherem um capacete que lhes agrade, fizeram tudo para os incentivar a usarem-no de bom grado.

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